paranoia terapêutica

O porteiro noturno bruscamente acorda numa pescada violenta
Através da buzina do carro do síndico empático suicida.
Aperta o comando e vê o lento abrir do portão enquanto pensa:
“Por quanto tempo terá me esperado a mercê na avenida?”

Sobre venenos e antídotos

Fazia dos outros cartas em sua manga
Entre goles e fumaças, foi-se a máscara da inocência
Fora rejeitado em todas as mesas de jogatina
Forçado pelo vício, foi aprender paciência

Ré-Petição

O prazer do repetir
Na verdade é discutível
Infalível vil desejo
Consumado a me trair

Mesma roupa semanal
Suja, limpa no varal
Visto desvisto, me divirto
Couro vivo em meu quintal

Sangue..

Se as estradas levam a Roma
Toma o céu como caminho
O bom filho a casa ré torna
Bom para a mãe, ruim para o vizinho

E eu pensando que voltando
E vivendo novamente
Meus pecados repetidos
Resolvidos no presente
Revividos compulsivos
Tratariam minha mente